“You rocked my world, you know you did
And everything I own I give
The rarest love who'd think I'd find
Someone like you to call mine”
E era essa estrofe que Lilian não conseguia deixar de cantarolar. Havia escutado essa música muitas vezes pela manhã sem deixar de pensar naquela pessoa que ela havia conhecido há menos de um mês, mas que já estava completamente apaixonada. Se fosse possível um ser humano ter o poder de burlar as leis gravidade, Lilian poderia, com toda a certeza, estar flutuando. Estando assim bem próximo da lua, o astro que ela mais admirava em todo o sistema solar.
Como podia alguém com quase vinte anos se apaixonar tão rapidamente como uma garota de treze? Era isso que ela se perguntava quando não estava pensando em Teo.
Ela estava tentando se concentrar em seus estudos, provas finais do cursinho, quando ouviu o barulho de seu celular vibrar do criado mudo:
“E ai? Vamos ao cinema no cemitério, que havíamos combinado?”
Ela revira os olhos e responde: “Tenho dever de casa, preciso estudar para as provas finais, Gab”. Segundos depois, vem a resposta: “Provas finais é o cacete, você é uma das pessoas mais inteligentes que conheço. Vamos logo, senhora certinha”
“Tá, Gab, eu vou, mas tem que me prometer que vamos voltar assim que o filme acabar!”
“Olha, Lil, não vou te prometer nada, talvez Caleb esteja lá, e você sabe que eu estou há meses de olho nele. Talvez essa seja minha última chance!! Por isso preciso de você lá.”
“Gabriel! Preciso estudar. Eu vou, mas no máximo uma da manhã estarei em casa”
“Podemos negociar para que você volte às 2 a.m?”
Lilian revirou os olhos e sorriu: “Ain, Gab, tá, mas SOMENTE se você conseguir o Caleb por hoje U.U”
Ela sorriu quando recebeu a resposta: “Obrigadão Lil, você é dez. E relaxa garota, você vai ser a melhor de todas nessas malditas provas. Te encontro às 21h em frente ao galpão abandonado da rua 24”
Lilian olhou no seu relógio de cabeceira que marcava 17:48 p.m, voltou a olhar para seus livros que estavam espalhados pela escrivaninha que tinha em seu quarto, e agradeceu por ter começado a estudar mais cedo naquele ano, e, por ter dormido até mais tarde naquele dia.
O filme que será exibido à noite é “A noite dos mortos vivos” de George Romero. Lilian não se sentia muito a vontade de ir à sessão porque havia assistido o mesmo filme há umas noites atrás com Tate, sua grande paixão secreta.
Como explicar aos olhos de Lilian como eles se conheceram? Nem mesmo ela conseguia explicar, quando deu por si, já haviam virado amigos. E já haviam dado o primeiro beijo.
Confuso? OK, eu explico: eles se conheceram na frente da universidade em que iriam se matricular. Lilian estava distraída com o fone de ouvido e com o cigarro que fumava; estava escolhendo uma musica pra ouvir enquanto terminava de fumar e esbarrou em Teo. Ambos pediram desculpas e começaram a conversar sobre coisas aleatórias.
Entraram juntas para se matricularem e descobriram que fariam cursos com a mesma finalidade pedagógica, mas em áreas diferentes, uma de na área de exatas e outra em humanas. Trocaram telefones e combinaram de se encontrar alguns dias depois. Não demorou muito para descobrirem que haviam muitas coisas que ele dois tinham em comum. Contudo, não demorou muito e no final do dia deram o primeiro beijo. Depois disso tornaram-se quase inseparáveis.
Lilian olhou novamente a hora em seu relógio de cabeceira, marcava 19:04, precisava se produzir para se encontra com Gab. Tomou seu banho calmamente, desejando que fosse uma noite surpreendente. Ou que pelo menos Gab conseguisse o que desejava, pois estava a deixando louca com os comentários sobre Caleb.
Terminando o banho, colocou seu jeans preto rasgado no joelho, regata preta, sua camisa de flanela surrada verde escura e seu all star velho e confortável. Como iria passar parte da noite no cemitério, resolveu levar seu sobretudo para não passar frio.
Quando chegou ao lugar marcado, esperou Gab por alguns instantes e acendeu seu primeiro cigarro da noite. O primeiro trago foi libertador e a fez pensar, pela primeira vez, como seria sua noite. Se encontraria alguém legal para conversar enquanto Gab se aproximava de Caleb. Esperava que a noite fosse tão agradável quanto seu amigo almejava. Enquanto devaneava, não reparou que as luzes do lugar onde estava piscaram três vezes. Deu mais um trago em seu cigarro de marca Marlboro, ela adorava essa marca, não pelo nome complicado, mas pela suavidade da nicotina quando entrava em contato com seu sistema nervoso. Era uma sensação gostosa de paz que se agarrava ao seu inconsciente. Ela gostava dessa sensação.
Ouviu o barulho de algo batendo, provavelmente uma porta. Derrubou o cigarro, “merda”, pensou, e logo o pegou, antes que a areia do chão grudasse no filtro. Olhou para os lados, principalmente para o lugar onde imaginou que viera o som. Nada aconteceu. Dessa vez viu as luzes piscando, e mais uma vez o barulho de porta batendo. Seu coração acelerou, deu o ultimo trago, jogou o cigarro no chão e o apagou pisando em cima. Virou em direção ao barulho e notou que as lâmpadas do local ainda piscavam. Chamou: “Olá?”. Sem resposta.